A discussão sobre software como commodity deixou de ser especulação futurista e passou a ser pauta estratégica. Com o avanço da inteligência artificial aplicada à programação, tarefas que antes exigiam equipes inteiras agora podem ser executadas em minutos. No entanto, a pergunta central não é se o código será automatizado. A pergunta relevante é: onde estará o valor quando isso acontecer?
Nos últimos anos, ferramentas baseadas em IA aceleraram o desenvolvimento de sistemas, criaram testes automaticamente e reduziram o custo operacional de aplicações digitais. Plataformas como o GitHub Copilot já demonstram essa tendência na prática (https://github.com/features/copilot). Ao mesmo tempo, relatórios de mercado, como os da McKinsey sobre IA generativa (https://www.mckinsey.com/capabilities/quantumblack/our-insights), indicam que a produtividade em tecnologia tende a crescer exponencialmente.
Entretanto, produtividade não é sinônimo de inovação.
Quando o software como commodity se torna inevitável
No curto prazo, a infraestrutura básica já está se tornando padronizada. Deploy automatizado, integrações via API e pipelines de dados simples são cada vez mais acessíveis. Além disso, a geração automática de código reduziu drasticamente o tempo de desenvolvimento.
No médio prazo, aplicações completas poderão ser construídas por meio de prompts estruturados. Interfaces padrão e fluxos comuns serão sugeridos automaticamente. Consequentemente, o diferencial técnico perde protagonismo.
No longo prazo, a tendência aponta para sistemas hiperpersonalizados gerados sob demanda. Assim, a execução tende à abundância. E, quando algo se torna abundante, perde valor relativo.
Portanto, o fenômeno do software como commodity não é um colapso do mercado. É uma transformação estrutural.
O que não vira commodity
Embora o código se torne cada vez mais acessível, a definição do problema continua escassa. A IA executa instruções, mas não compreende contexto cultural profundo, tensões sociais ou oportunidades estratégicas emergentes.
Além disso, inovação real exige três elementos que não se automatizam facilmente:
Primeiro, visão sistêmica. Conectar tecnologia, modelo de negócio e governança exige repertório humano e capacidade analítica.
Segundo, design de produto orientado a comportamento. A experiência do usuário depende de percepção, empatia e leitura de cenário.
Terceiro, posicionamento estratégico. Em um mercado saturado de soluções parecidas, narrativa e diferenciação determinam adoção.
Por isso, enquanto o código tende à padronização, a estratégia continua premium.
Estratégia além do software como commodity
Quando falamos em software como commodity, não estamos decretando o fim da tecnologia como diferencial competitivo. Estamos, na verdade, redefinindo o que significa vantagem estratégica.
Empresas que competem apenas por execução técnica entram em guerra de preço. Entretanto, organizações que operam na camada de decisão constroem autoridade.
A pergunta estratégica passa a ser outra: qual problema estrutural estou resolvendo? Que risco estou reduzindo? Que governança estou fortalecendo?
Nesse novo cenário, o valor migra do desenvolvedor operacional para o arquiteto de sistemas, para o estrategista de produto e para o líder que transforma informação em decisão.
Além disso, ecossistemas se tornam mais relevantes do que softwares isolados. Plataformas, comunidades e redes de colaboração criam barreiras competitivas que a simples automação não replica.
Oportunidade ou ameaça?
Se analisarmos friamente, a transformação não elimina mercado. Ela elimina intermediários que não evoluem.
A execução técnica se democratiza. Porém, a clareza estratégica permanece rara. E escassez gera valor.
Empreendedores que compreendem essa transição podem reposicionar seus negócios para atuar na camada decisória. Em vez de vender código, passam a vender estrutura, diagnóstico e inteligência aplicada.
Esse movimento dialoga diretamente com o conceito de governança informacional, onde decisões são orientadas por dados, contexto e análise estruturada.
Se você deseja estruturar essa visão na prática, conheça o Diagnóstico Reputacional Lite da Akilli Brasil e avalie como sua organização está posicionada em termos de risco, comunicação e estratégia: https://www.akillibrasil.com/diagnostico-reputacional-lite
Conclusão
O código tende à abundância. A estratégia continua escassa.
Portanto, o debate sobre software como commodity não deve gerar medo. Deve gerar reposicionamento.
Quem competir apenas na execução será pressionado por preço e automação. Entretanto, quem dominar a camada de decisão continuará relevante.
A inovação não desaparece. Ela apenas muda de endereço.






