Ronaldo Caiado — O mais antigo candidato da direita e seu desempenho como governador de Goiás
Quando Ronaldo Caiado disputou pela primeira vez a Presidência da República, em 1989, Jair Bolsonaro ainda cumpria seu primeiro mandato como vereador no Rio de Janeiro, o PT nunca havia governado o país, não existiam redes sociais e a Constituição brasileira tinha apenas um ano.
Trinta e sete anos depois, Caiado está novamente na corrida pelo Palácio do Planalto.
Isso faz dele algo peculiar na eleição de 2026: entre os principais candidatos identificados com a direita, é aquele cuja trajetória presidencial começou mais cedo.
Mas há uma diferença importante entre o Caiado de 1989 e o de 2026.
Na primeira candidatura, ele chegava principalmente como liderança ruralista. Agora chega carregando cinco mandatos de deputado federal, passagem pelo Senado e dois mandatos à frente do governo de Goiás. A própria Câmara registra sua trajetória parlamentar, sua passagem pelo Senado e pelo governo estadual, além da fundação e presidência da União Democrática Ruralista, a UDR.
Ou seja: desta vez existe um governo para analisar.
E é justamente aí que a candidatura de Ronaldo Caiado fica mais interessante.
Porque existe uma aparente contradição eleitoral em 2026:
Caiado deixou Goiás com uma das maiores aprovações entre os governadores pesquisados no país, possui indicadores relevantes em segurança, educação, emprego e gestão fiscal, mas continua ocupando apenas uma pequena parcela das intenções de voto para presidente.
Essa diferença entre desempenho administrativo e desempenho eleitoral merece ser entendida.
Quem é Ronaldo Caiado politicamente?
Ronaldo Ramos Caiado nasceu em Anápolis, em Goiás, em 25 de setembro de 1949. É médico ortopedista, professor e produtor rural.
Sua projeção nacional começou muito antes do surgimento da atual configuração da direita brasileira.
Entre 1987 e 1989, foi fundador e presidente nacional da União Democrática Ruralista, organização criada em meio aos intensos debates sobre propriedade rural e reforma agrária durante a redemocratização brasileira.
Em 1989, lançou sua primeira candidatura presidencial.
Recebeu 0,68% dos votos e terminou distante da disputa entre Fernando Collor e Luiz Inácio Lula da Silva.
A derrota, porém, não encerrou sua carreira política.
No ano seguinte, Caiado foi eleito deputado federal por Goiás. Ao longo das décadas seguintes acumulou cinco mandatos na Câmara, tornou-se senador em 2014 e, posteriormente, governador de Goiás por dois mandatos.
Em 2026, voltou à disputa presidencial, agora pelo PSD e com Gilberto Kassab como candidato a vice.
Essa trajetória permite uma distinção importante.
Caiado é bolsonarista?
Reduzir Caiado ao bolsonarismo seria historicamente incorreto.
Sua formação política dentro da direita brasileira aconteceu décadas antes de Jair Bolsonaro se transformar na principal liderança conservadora do país.
Agronegócio, propriedade privada, segurança pública, redução da criminalidade e oposição ao PT são bandeiras muito anteriores ao bolsonarismo em sua carreira.
Isso não significa que hoje não exista sobreposição eleitoral.
Existe.
Caiado disputa exatamente parte do eleitorado conservador que também considera Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e outros candidatos.
Mas a oferta política é diferente.
Flávio Bolsonaro carrega a continuidade direta do movimento político construído pelo pai.
Romeu Zema apresenta uma identidade mais fortemente associada ao liberalismo econômico e à experiência empresarial.
Renan Santos tenta apresentar uma direita geracional, digital e confrontadora do sistema político tradicional.
Caiado oferece outro produto eleitoral:
conservadorismo + experiência institucional + histórico executivo.
Essa é provavelmente a melhor maneira de compreender sua posição em 2026.
O governo Caiado em Goiás foi realmente bom?
A resposta mais responsável é: existem indicadores bastante positivos, mas nenhum governador deveria receber sozinho o crédito por todos os resultados produzidos por um estado.
Política pública funciona dentro de sistemas.
Economia nacional, municípios, Judiciário, Ministério Público, setor privado, servidores públicos, investimentos anteriores e condições externas também influenciam resultados.
Dito isso, determinados indicadores de Goiás durante o período Caiado são difíceis de ignorar.
O que aconteceu com a segurança pública em Goiás?
Este provavelmente é o principal case de sua administração.
Segundo dados do Atlas da Violência 2025, Goiás apresentou queda de aproximadamente 44,6% na taxa de homicídios registrados entre 2018 e 2023. Considerando a estimativa ampliada de homicídios utilizada pelo Atlas, a taxa passou de 39,4 mortes por 100 mil habitantes em 2018 para 21,8 em 2023, queda próxima de 44,7%.
No mesmo recorte, a redução nacional da taxa estimada foi de aproximadamente 24,3%.
Isso importa porque significa que Goiás não apenas acompanhou uma tendência brasileira de redução de homicídios.
A redução aconteceu em intensidade significativamente superior à média nacional.
O Atlas também apontou avanços em outros recortes. Entre 2013 e 2023, por exemplo, Goiás registrou queda de 60,7% na taxa de homicídios de mulheres.
É legítimo, portanto, considerar segurança pública um dos maiores ativos administrativos de Caiado.
Mas há uma ressalva.
Durante uma sabatina realizada pela Folha e pelo UOL em setembro de 2026, algumas declarações de Caiado sobre a situação histórica da violência em Goiás foram classificadas como incorretas ou exageradas pela checagem do UOL.
Isso produz uma situação curiosa.
O governo possui números suficientemente bons para sustentar uma narrativa de sucesso sem precisar inflá-los.
Quando um político exagera um indicador favorável, ele transforma uma vantagem em vulnerabilidade.
Consultar os dados divulgados a partir do Atlas da Violência 2025
E a educação de Goiás?
Aqui existe outro resultado expressivo.
No Ideb 2023, a rede estadual de Goiás alcançou nota 4,8 no ensino médio e chegou à primeira posição nacional nesse indicador. Nos anos finais do ensino fundamental, registrou 5,5, dividindo a liderança com Ceará e Paraná.
Isso oferece evidência concreta para a narrativa de melhora educacional.
Novamente, porém, é necessário diferenciar indicador de slogan.
Uma rede chegar ao topo de determinado recorte do Ideb não significa que todos os problemas educacionais estejam resolvidos.
Aprendizagem, evasão, desigualdade regional, infraestrutura escolar, formação docente e conexão entre escola e mercado de trabalho continuam sendo dimensões diferentes.
A própria checagem da sabatina de Caiado apontou que sua afirmação de que Goiás seria líder nacional no combate à evasão escolar não era sustentada pelos dados disponíveis — outras unidades federativas apresentavam desempenho superior nesse indicador.
É mais um caso em que o resultado verdadeiro já é suficientemente forte.
Não precisa de maquiagem estatística.
O mercado de trabalho goiano também melhorou?
Sim.
Segundo a PNAD Contínua do IBGE, Goiás encerrou 2025 com taxa anual de desemprego de 4,6%, a menor da série histórica estadual iniciada em 2012.
Para comparação, a taxa nacional de desemprego em 2025 ficou em 5,6%.
É um indicador favorável.
Mas aqui a atribuição causal exige ainda mais cautela.
Governadores influenciam ambiente de negócios, infraestrutura, qualificação profissional, atração de investimentos, burocracia e políticas econômicas estaduais.
Não controlam, porém, juros nacionais, política monetária, câmbio, crescimento brasileiro, comércio internacional ou boa parte das forças que determinam emprego.
Portanto, a formulação correta não é:
“Caiado criou o baixo desemprego.”
A formulação mais defensável é:
Goiás encerrou sua administração com um mercado de trabalho particularmente aquecido dentro de um período que também apresentou melhora nacional do emprego.
É menos eleitoralmente sexy.
Mas é intelectualmente mais sério.
Consultar os dados da PNAD Contínua do IBGE
Como ficaram as contas públicas?
Goiás também apresentou melhora em sua avaliação de capacidade de pagamento.
Na Capag 2025, calculada pela Secretaria do Tesouro Nacional, o estado passou de nota C para B+.
A classificação considera indicadores relacionados a endividamento, poupança corrente e liquidez.
Existe, contudo, um contexto importante: Goiás participa do Regime de Recuperação Fiscal desde dezembro de 2021 e havia recebido classificação C em 2023 e 2024.
Portanto, o B+ representa uma melhora relevante.
Mas seria exagerado descrever a situação como se Caiado tivesse recebido um estado sem dificuldades fiscais e simplesmente criado uma máquina de excelência financeira.
Houve recuperação dentro de um processo fiscal complexo.
E essa nuance importa bastante quando um governador deseja transformar experiência estadual em credencial presidencial.
Então por que Caiado terminou seu governo tão popular?
Talvez este seja o indicador mais difícil de ignorar.
Pesquisa Genial/Quaest realizada em julho de 2026 mostrou que 87% dos goianos aprovavam a administração de Ronaldo Caiado, enquanto apenas 7% a desaprovavam.
Entre os dez estados pesquisados pelo instituto naquele período, foi a maior aprovação registrada.
A pesquisa ouviu 1.104 eleitores em Goiás entre 24 e 28 de julho, com margem de erro de três pontos percentuais.
Aprovação não prova automaticamente qualidade administrativa.
Mas 87% também não é ruído estatístico.
Existe ali um capital político real.
E ele aparece também dentro do próprio estado: na pesquisa presidencial realizada pela Quaest em Goiás naquele período, Caiado liderava com 33%, à frente de Flávio Bolsonaro, com 27%, e Lula, com 23%.
Em Goiás, portanto, o modelo funciona eleitoralmente.
O problema de Caiado começa quando a fronteira estadual desaparece.
Se o governo é bem avaliado, por que Caiado tem tão poucos votos para presidente?
Esta talvez seja a pergunta central de sua candidatura.
Em 3 de setembro, o Datafolha colocou Caiado com apenas 4% das intenções nacionais de voto.
Lula aparecia com 38%, Flávio Bolsonaro com 33% e Augusto Cury com 8%.
Outros institutos produzem números diferentes, mas contam basicamente a mesma história.
Na Futura/Apex, Caiado tinha 3,5%.
Na Quaest, 1%.
Na RealTime Big Data, 4%.
No BTG/Nexus, entre 5% e 6%, dependendo do cenário.
Portanto, neste início de setembro, a candidatura continua instalada em um dígito.
Essa discrepância revela algo importante sobre eleições.
Bom desempenho administrativo não se converte automaticamente em desejo eleitoral.
Gestão é produto.
Eleição é também distribuição.
É possível possuir uma boa solução e não conseguir colocá-la na frente de consumidores suficientes.
No ambiente empresarial chamamos isso de problema de go-to-market.
Na política chamamos de campanha.
O problema de Caiado é rejeição?
Curiosamente, não parece ser seu principal problema.
Um levantamento da Datrix sobre desempenho digital dos presidenciáveis colocou Caiado na última posição entre os candidatos monitorados em exposição digital, mas também registrou nele a menor proporção de menções negativas do grupo.
Isso sugere uma hipótese interessante.
Muitos brasileiros não necessariamente rejeitam Caiado.
Eles simplesmente não estão pensando nele.
Essa diferença é enorme.
Convencer alguém que já decidiu rejeitá-lo exige mudar percepção.
Convencer alguém que sequer considera seu nome exige primeiro conquistar atenção.
E atenção se tornou um dos ativos mais escassos da política contemporânea.
É justamente por isso que a ascensão de Augusto Cury merece ser observada.
Enquanto Caiado tenta transformar anos de administração pública em awareness nacional, Cury entrou na política já carregando uma audiência construída por décadas de livros, palestras e presença digital.
No Akilli Blog, já analisamos esse fenômeno em profundidade: Augusto Cury 2026: perfil, propostas e possível governo.
Uma eleição digital produz essa ironia:
às vezes é mais fácil transformar audiência em intenção de voto do que transformar gestão em audiência.
Caiado poderia derrotar Lula num segundo turno?
Aqui aparece o aspecto mais surpreendente da candidatura.
Apesar de sua baixa intenção de voto no primeiro turno, Caiado apresenta resultados significativamente melhores quando pesquisas simulam uma disputa direta contra Lula.
A Futura/Apex encontrou Lula com 44,4% e Caiado com 42,5%.
O BTG/Nexus apontou 45% para Lula e 44% para Caiado.
A RealTime Big Data chegou a registrar Caiado numericamente à frente: 45% contra 43%.
Já a Quaest encontrou Lula com 42% e Caiado com 37%.
As metodologias e resultados são diferentes e nenhuma dessas pesquisas deve ser tratada isoladamente como previsão.
Mas existe um padrão interessante.
Quando o eleitor é colocado diante de apenas duas alternativas — Lula ou Caiado — o ex-governador consegue receber votos de segmentos que no primeiro turno estão distribuídos entre Flávio Bolsonaro, Augusto Cury, Renan Santos, Romeu Zema e outros candidatos.
Isso revela capacidade de agregação.
Ou, em linguagem estratégica, baixo atrito para receber voto transferido.
O problema é evidente.
Para disputar o segundo turno é preciso primeiro chegar ao segundo turno.
E essa continua sendo a parte mais difícil da operação.
Caiado consegue ultrapassar Flávio Bolsonaro?
Com os números disponíveis em 7 de setembro, seria necessário um movimento eleitoral extraordinário.
Tomemos o Datafolha apenas como exercício.
Caiado: 4%.
Augusto Cury: 8%.
Renan Santos: 3%.
Romeu Zema: 2%.
Mesmo que Caiado absorvesse todos esses votos — hipótese completamente irrealista — chegaria a 17%.
Flávio Bolsonaro estava em 33%.
Portanto, não basta “unificar a terceira via”.
Caiado precisaria retirar uma quantidade enorme de votos do próprio candidato que hoje lidera o campo da direita.
Isso exigiria uma ruptura eleitoral relevante.
Pode acontecer?
Eleições podem produzir eventos inesperados.
Mas cenário possível não é sinônimo de cenário provável.
O melhor indicador será observar se Caiado começa a romper consistentemente as faixas de 5%, 8% e posteriormente 10%.
Sem esse movimento, a matemática fica cada vez mais hostil.
Para compreender a dimensão dessa disputa dentro da própria direita, vale também a leitura da nossa análise sobre como Flávio Bolsonaro chegou competitivo à eleição de 2026.
O paradoxo eleitoral de Ronaldo Caiado
Definição curta: Ronaldo Caiado chega à eleição presidencial de 2026 como um dos candidatos com maior experiência administrativa da direita e com forte aprovação em seu estado, mas ainda sem conseguir converter esse patrimônio político em intenção de voto nacional.
Os quatro números que ajudam a entender o fenômeno:
- 1989: primeira candidatura de Caiado à Presidência;
- 87%: aprovação de sua gestão em Goiás na Quaest de julho de 2026;
- 44,6%: redução da taxa de homicídios registrados em Goiás entre 2018 e 2023;
- aproximadamente 1% a 6%: faixa em que aparece nas principais pesquisas presidenciais recentes.
Exemplo: no BTG/Nexus, Caiado tinha apenas 5% no primeiro turno, mas aparecia com 44% em uma simulação de segundo turno contra Lula.
Frase de impacto:
Caiado parece ter um currículo capaz de chegar ao segundo turno, mas ainda não possui os votos necessários para chegar até ele.
O que eu vejo na prática?
Quando observo a candidatura de Caiado pela lente da Arquitetura Estratégica, vejo um problema que aparece constantemente em empresas, organizações e ecossistemas.
Existe uma diferença enorme entre capacidade, reputação e distribuição.
Uma empresa pode entregar muito bem e permanecer pequena porque ninguém conhece seu trabalho.
Uma startup pode possuir tecnologia superior e perder para um concorrente com distribuição melhor.
Um ecossistema pode produzir resultados relevantes localmente e continuar invisível nacionalmente porque não construiu narrativa, conexões e canais capazes de escalar aquilo que faz.
Caiado parece enfrentar exatamente essa barreira.
O produto político existe.
O case de Goiás oferece evidências.
A aprovação estadual sugere aderência.
Mas a distribuição nacional ainda é insuficiente.
Isso também explica por que pesquisas de segundo turno são tão interessantes.
Quando o instituto elimina o problema de distribuição — colocando apenas Lula e Caiado diante do eleitor — a competitividade do goiano cresce drasticamente.
No primeiro turno, porém, ninguém elimina os concorrentes por ele.
A campanha precisa conquistar esse espaço.
É uma lição aplicável muito além da política.
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O que a candidatura de Caiado diz sobre a direita brasileira?
Talvez esta seja a dimensão histórica mais interessante.
Caiado representa uma direita anterior ao bolsonarismo tentando competir em uma direita profundamente reorganizada pelo bolsonarismo.
Ele participou da eleição presidencial de 1989.
Viu a ascensão e queda de Collor.
Acompanhou os governos Fernando Henrique.
Foi oposição aos primeiros governos Lula.
Passou pelo Congresso durante Dilma Rousseff.
Assistiu ao surgimento de Jair Bolsonaro como fenômeno presidencial.
E agora disputa votos com o filho dele.
Isso transforma sua candidatura em uma espécie de ponte entre duas direitas brasileiras.
Uma construída historicamente em torno do agronegócio, conservadorismo institucional e representação parlamentar.
Outra estruturada nas últimas décadas por mobilização digital, identidade política, confronto cultural e liderança personalista.
Caiado tenta provar que experiência administrativa pode novamente ocupar o centro dessa direita.
Até agora, as pesquisas mostram que essa transição não aconteceu.
Experiência basta para governar o Brasil?
Não.
Mas também não deveria ser descartada.
Governar Goiás e governar o Brasil são operações de escalas completamente diferentes.
A União administra relações internacionais, política fiscal nacional, Previdência, sistema financeiro, grandes programas sociais, infraestrutura interestadual, defesa, política energética, regulação de dezenas de setores e uma relação permanente com um Congresso fragmentado.
Além disso, aquilo que funcionou em Goiás não pode simplesmente ser copiado e colado no país.
Segurança talvez seja o melhor exemplo.
Governadores controlam diretamente estruturas estaduais de Polícia Militar e Polícia Civil.
Um presidente não.
A União pode coordenar inteligência, fronteiras, Polícia Federal, financiamento e legislação.
Mas grande parte da execução continua distribuída entre estados, municípios, Judiciário, Ministério Público e sistema penitenciário.
Ou seja:
escalar o modelo Goiás exigiria governança federativa — não apenas autoridade presidencial.
Esse é precisamente o tipo de diferença que deveria orientar o debate eleitoral.
Não apenas perguntar “funcionou em Goiás?”.
Perguntar:
“quais mecanismos fizeram funcionar e quais deles continuam disponíveis quando a escala muda para 27 unidades da Federação?”
Essa é uma pergunta muito mais útil.
O que acompanhar na candidatura de Ronaldo Caiado agora?
Existem cinco indicadores que considero particularmente importantes nesta reta final:
- Intenção de voto nacional: Caiado consegue romper consistentemente a faixa de um dígito?
- Desempenho digital: sua campanha consegue transformar baixa rejeição em maior exposição?
- Migração da direita: ele começa a retirar votos de Flávio Bolsonaro ou cresce apenas sobre candidatos menores?
- Conversão do horário eleitoral e debates: mais exposição produz votos ou apenas conhecimento?
- Capilaridade do PSD: governadores, prefeitos e lideranças do partido realmente entram na campanha presidencial?
Esse último ponto merece atenção.
Ter estrutura partidária no organograma não significa necessariamente possuir estrutura eleitoral funcionando na rua.
Em Pernambuco há um exemplo interessante. Mesmo integrando o PSD, a governadora Raquel Lyra evitou declarar apoio presidencial a Caiado durante sabatina recente.
Partido grande não significa automaticamente campanha nacional integrada.
Governança novamente entra no jogo.
Afinal, qual é o potencial de Ronaldo Caiado em 2026?
Minha leitura hoje é relativamente simples.
Ronaldo Caiado possui um case administrativo mais forte do que seu desempenho eleitoral.
Segurança pública oferece talvez sua melhor evidência.
Educação oferece outro indicador relevante.
Emprego e recuperação fiscal complementam o argumento.
E uma aprovação de 87% ao final de um ciclo de governo mostra que a população goiana, em grande medida, reconheceu positivamente sua administração.
Nada disso garante capacidade presidencial.
Muito menos garante eleição.
Mas fornece uma base objetiva para que sua candidatura seja analisada seriamente.
O desafio é outro.
Caiado não está lutando apenas para convencer brasileiros de que governou bem.
Está lutando para entrar na lista mental de candidatos que milhões de brasileiros realmente consideram votar.
E essa talvez seja a missão mais difícil de sua carreira política.
Depois de quase quatro décadas desde sua primeira candidatura presidencial, Ronaldo Caiado não precisa mais provar que consegue permanecer na política.
Precisa provar que consegue escalar.
O mais antigo candidato presidencial da direita atual talvez tenha construído em Goiás o melhor argumento de sua carreira. Agora precisa fazer esse argumento atravessar as fronteiras do estado.
A eleição dirá se existe mercado eleitoral para isso.
Próximo passo para quem quer entender a eleição de 2026
A Akilli Brasil continuará analisando os candidatos não apenas pelas promessas apresentadas durante a campanha, mas pelo histórico, capacidade demonstrada de execução, riscos de governança e condições reais para transformar propostas em políticas públicas.
Leia também nossa análise sobre o que esperar de um possível quarto mandato de Lula e compare os diferentes modelos de governo colocados diante do eleitor brasileiro.
Porque escolher presidente deveria ser menos sobre torcida.
E muito mais sobre compreender quem tem capacidade, estrutura e governança para transformar intenção em resultado.
