Renan Santos 2026: quem é e até onde pode chegar na eleição presidencial?
Renan Santos ainda está muito distante de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro nas pesquisas presidenciais. Olhar apenas para esse número, porém, significa perder uma das experiências políticas mais interessantes das eleições de 2026.
O candidato do Partido Missão conseguiu construir algo incomum: uma campanha presidencial competitiva em atenção pública antes de se tornar competitiva em votos.
Ele possui milhões de seguidores, liderou o financiamento coletivo entre os presidenciáveis, transformou um debate televisionado em combustível para suas redes e chegou a aparecer com 7,6% das intenções de voto em uma pesquisa. Ao mesmo tempo, o Datafolha mais recente continua encontrando Renan na faixa de 3% a 4%.
A contradição é justamente o que merece atenção.
Renan Santos pode estar diante de duas trajetórias muito diferentes: tornar-se uma liderança nacional permanente da direita brasileira ou descobrir que audiência digital e voto continuam sendo moedas bastante diferentes.
Minha leitura é que a primeira possibilidade já começou a acontecer. A segunda, entretanto, ainda determinará até onde ele poderá chegar nesta eleição.
Definição rápida: Renan Santos é um empresário, ativista político, cofundador do Movimento Brasil Livre e presidente do Partido Missão. Em sua primeira candidatura eleitoral, disputa diretamente a Presidência da República e tenta converter a base política e digital construída pelo MBL em uma nova força partidária nacional.
Quem é Renan Santos?
Renan Antônio Ferreira dos Santos nasceu em São Paulo, em 1984, e cresceu na Mooca. Estudou Direito na Universidade de São Paulo, mas não concluiu o curso, deixando a universidade para trabalhar em atividades empresariais com a família.
Sua projeção nacional não nasceu dentro de um partido tradicional.
Renan foi um dos fundadores do Movimento Brasil Livre, o MBL, organização que ganhou protagonismo principalmente durante as grandes manifestações contra o governo Dilma Rousseff e no processo político que culminaria no impeachment da então presidente.
Ao contrário de figuras do movimento que disputaram eleições anteriormente — entre elas Kim Kataguiri —, Renan permaneceu durante anos exercendo principalmente funções de articulação, estratégia e organização política.
Em 2025, essa trajetória entrou em uma nova fase.
O Tribunal Superior Eleitoral aprovou o registro do Partido Missão. Renan tornou-se seu primeiro presidente nacional e a legenda recebeu o número 14. Em 2026, o partido o lançou candidato à Presidência com o tenente-coronel da reserva Aroldo Medina como vice.
Há uma peculiaridade nisso: a primeira eleição que Renan Santos disputa na vida é uma eleição presidencial.
Não existe passagem anterior por Câmara Municipal, Assembleia Legislativa, Câmara dos Deputados, Senado, prefeitura ou governo estadual.
É simultaneamente um ativo de comunicação — porque reforça sua narrativa de outsider — e um dos seus maiores riscos políticos.
O que o Partido Missão representa?
O Missão não é simplesmente uma legenda usada pelo MBL para disputar uma eleição.
Ele representa uma tentativa mais ambiciosa de institucionalizar um movimento político.
O partido se apresenta como uma legenda de direita pragmática, com defesa de liberalismo econômico, empreendedorismo, reformas institucionais e uma postura dura principalmente na área de segurança pública. Renan também coloca ajuste fiscal e reforma do Estado entre os elementos importantes de seu projeto.
A transformação é relevante.
Movimentos sociais e políticos têm grande liberdade para protestar, comunicar, mobilizar e pressionar.
Partidos precisam fazer algo muito mais complicado:
eleger pessoas, construir bancadas, administrar recursos, formar alianças, criar governança interna e transformar propostas em legislação e políticas públicas.
É nesse ponto que o projeto de Renan começa a ficar mais interessante do que sua candidatura isoladamente.
Mesmo que não vença em 2026, uma votação presidencial relevante pode funcionar como aquisição de usuários para uma startup política — com a pequena diferença de que os “usuários”, nesse caso, são eleitores.
Por que Renan Santos cresceu tanto nas redes sociais?
Porque sua campanha foi construída quase de trás para frente em relação ao modelo eleitoral tradicional.
Em vez de televisão → conhecimento → eleitor → redes sociais, o fluxo de Renan foi:
redes sociais → comunidade → financiamento → exposição nacional → intenção de voto.
Antes do debate presidencial da Band, Renan já mobilizava aproximadamente 2,4 milhões de seguidores no Instagram e 1,1 milhão no TikTok. Sua campanha também havia arrecadado cerca de R$ 1,26 milhão por financiamento coletivo de aproximadamente 20,5 mil apoiadores, liderando as vaquinhas entre os presidenciáveis naquele momento.
Esses números indicam algo mais relevante que popularidade.
Eles demonstram intensidade da base.
Seguir um político exige um clique.
Doar dinheiro exige decisão.
Mais de 20 mil pessoas colocando dinheiro na campanha constituem um sinal político qualitativamente diferente de uma postagem viral.
O debate da Band mudou o patamar da campanha?
Mudou principalmente o patamar de conhecimento do candidato.
Depois do debate, Renan ganhou aproximadamente 396 mil seguidores no Instagram, crescendo 18,8% e passando de cerca de 2,1 milhões para 2,49 milhões de seguidores.
Nas 12 horas posteriores ao programa, uma análise citada pela Band indicou que ele gerou 22 vezes mais citações e interações digitais que Ronaldo Caiado.
Nas buscas do Google relacionadas aos presidenciáveis, ficou atrás apenas de Lula naquele momento.
Do ponto de vista de comunicação, foi uma vitória.
Do ponto de vista eleitoral, a história é mais complicada.
Porque uma coisa é vencer o algoritmo.
Outra é vencer a urna.
Quanto Renan Santos tem nas pesquisas?
Aqui aparece provavelmente o dado mais intrigante de sua candidatura.
Os institutos estão encontrando tamanhos bastante diferentes para Renan.
Levantamentos recentes colocaram o candidato aproximadamente nestas posições:
| Instituto | Renan Santos |
|---|---|
| AtlasIntel | 7,6% |
| RealTime Big Data | cerca de 7% |
| PoderData | 4% |
| Datafolha | 3% a 4%, dependendo do cenário |
| BTG/Nexus | 3% |
| Futura/Apex | 2,8% |
| Quaest | cerca de 3% |
Esses levantamentos usam metodologias e períodos diferentes e, portanto, não devem simplesmente ser somados e divididos para produzir uma média improvisada. A variação é justamente parte da informação.
O Datafolha divulgado em 3 de setembro foi especialmente importante porque permitiu testar a hipótese de que a repercussão do debate havia produzido uma explosão nacional da candidatura.
Não produziu — pelo menos ainda não.
Em um cenário com Pablo Marçal, o Datafolha encontrou:
Lula, 39%; Flávio Bolsonaro, 32%; Augusto Cury, 7%; Renan Santos, 4%; Ronaldo Caiado, 4%.
Em outro cenário sem Marçal, Lula tinha 38%, Flávio 33%, Cury 8%, Caiado 4% e Renan 3%.
Na pesquisa espontânea, Renan apareceu com 2%.
Isso coloca um freio necessário na empolgação provocada pelos números digitais.
Renan cresceu em conhecimento, mas ainda não demonstrou crescimento eleitoral proporcional ao seu crescimento de audiência.
Por que algumas pesquisas encontram 3% e outras quase 8%?
Não existe resposta definitiva.
Mas existe uma hipótese que merece ser acompanhada: o eleitorado de Renan tem características particularmente favoráveis ao ambiente digital.
Isso já aparecia muito antes da campanha oficial.
Em março, quando Renan tinha aproximadamente 3% nacionalmente no Datafolha, chegava a 6% a 10% entre eleitores de 16 a 24 anos, dependendo do cenário analisado.
É um dado estrategicamente importante porque os jovens também constituem o grupo mais volátil da eleição.
Pesquisa BTG/Nexus divulgada recentemente apontou que 38% dos eleitores entre 16 e 24 anos ainda admitiam mudar de candidato, contra 22% entre pessoas de 25 a 40 anos e apenas 17% entre os maiores de 41 anos.
Renan, portanto, possui presença justamente em um segmento eleitoral com elevada abertura para mudança.
Isso é oportunidade.
Também significa volatilidade.
Renan pode repetir o crescimento de Augusto Cury?
Esse talvez seja o melhor benchmark disponível.
Augusto Cury demonstrou que tráfego digital pode, sim, transformar rapidamente uma eleição.
O escritor saiu de aproximadamente 2% para até 11% em determinadas pesquisas em poucas semanas e chegou a 8% no Datafolha mais recente.
Já analisamos detalhadamente quem é Augusto Cury e o que sua candidatura representa.
Existe, entretanto, uma diferença estratégica relevante entre os dois.
Cury está utilizando um discurso de pacificação e rejeição da polarização.
Renan cresce principalmente através do confronto.
Seu desempenho no debate da Band é um ótimo exemplo: gerou enorme repercussão justamente ao atacar adversários e elevar a temperatura da discussão.
Esse modelo possui eficiência extraordinária para produzir cortes, comentários e compartilhamentos.
Mas existe um preço.
O Datafolha aponta atualmente 15% de rejeição a Renan, percentual ainda muito inferior aos 45% de Lula e 47% de Flávio Bolsonaro, mas bastante maior que os 9% de Augusto Cury.
A equação de Renan é simples de escrever e difícil de executar:
crescer sem fazer a rejeição crescer mais rápido.
E a decisão de Dias Toffoli contra a campanha?
No dia 31 de agosto, Dias Toffoli, atuando no Tribunal Superior Eleitoral, determinou cautelarmente a suspensão de parte relevante das atividades da campanha depois que perfis utilizados eleitoralmente não constaram inicialmente da relação apresentada à Justiça Eleitoral.
A decisão atingiu propaganda digital, participação em debates e recursos eleitorais.
Renan negou intenção de burlar as regras e atribuiu o problema a falhas técnicas no processo de cadastramento.
No dia seguinte, Toffoli reviu parte das medidas e permitiu que Renan voltasse aos debates, entrevistas, financiamento e campanha pelas contas devidamente registradas.
Portanto, dizer que sua candidatura continua “suspensa” seria incorreto.
Também seria precipitado atribuir seu desempenho eleitoral ao episódio.
O intervalo foi muito curto para sustentar esse tipo de conclusão.
Politicamente, entretanto, a controvérsia acrescentou um componente poderoso à narrativa de Renan: permitiu que ele se apresentasse diante de sua própria base como alguém enfrentando o sistema institucional que critica.
Isso pode mobilizar apoiadores. Quanto consegue conquistar novos eleitores é outra questão.
Renan Santos pode chegar ao segundo turno?
Hoje, considero improvável.
Não impossível. Improvável.
Essa distinção importa.
Lula e Flávio Bolsonaro permanecem aproximadamente na faixa de 30% a 40% das intenções de voto. Renan oscila entre aproximadamente 3% e 7,6%, dependendo da pesquisa.
Para alcançar o segundo turno, ele não precisaria simplesmente continuar crescendo.
Precisaria ocorrer uma ruptura.
Algo parecido com:
3% → 5% → 8% → 12% → 18% → 25% → disputa pelo segundo lugar.
Não:
3% → 4% → 5% → 6%.
A primeira curva precisa de eventos capazes de reorganizar o voto.
Um grande debate poderia ajudar.
Uma crise envolvendo um dos líderes poderia ajudar.
O colapso ou perda de tração de outro candidato outsider poderia ajudar.
Mas crescimento orgânico nas redes provavelmente não será suficiente.
Qual é o potencial eleitoral real de Renan Santos?
Eu trabalharia atualmente com três cenários editoriais. Eles não são projeções estatísticas; são uma análise de risco político baseada nos dados disponíveis.
Cenário conservador — 3% a 5%
A candidatura permanece muito eficiente digitalmente, mas não consegue converter exposição em eleitorado fora de sua base. Renan termina a eleição relevante politicamente, porém distante dos líderes.
Cenário de expansão — 5% a 8%
A exposição em debates e redes aumenta conhecimento nacional, parte dos jovens migra para sua candidatura e pesquisas que hoje registram 7% passam a ser confirmadas por outros institutos.
Esse cenário já transformaria Renan em um dos personagens políticos mais importantes do pós-eleição.
Cenário de breakout — 9% a 12% ou mais
Exigiria um novo catalisador. Outro debate excepcional, crise de concorrentes, forte migração de eleitores ou perda de impulso de Augusto Cury poderiam abrir esse espaço.
Mesmo assim, alcançar Lula ou Flávio exigiria outra ordem de crescimento.
Portanto, meu cenário-base hoje está mais próximo da consolidação entre os candidatos intermediários do que de uma classificação para o segundo turno.
Bloco citável: por que Renan Santos importa em 2026?
Renan Santos importa porque sua candidatura testa se uma comunidade política construída digitalmente consegue transformar audiência, financiamento e mobilização em voto presidencial.
Quatro indicadores justificam acompanhar sua campanha:
- possui uma das maiores estruturas digitais entre os candidatos fora dos dois polos;
- liderou o financiamento coletivo presidencial, com mais de 20 mil apoiadores;
- possui desempenho proporcionalmente forte entre jovens;
- conseguiu transformar exposição televisiva em forte crescimento digital.
Exemplo: depois do debate da Band, Renan ganhou aproximadamente 396 mil seguidores no Instagram, mas o Datafolha seguinte ainda o encontrou entre 3% e 4%.
Frase de impacto: em 2026, o maior desafio de Renan Santos não é conquistar atenção. É provar que atenção pode ser convertida em voto.
O que eu vejo na prática?
Quando olho para a campanha de Renan pela lente de arquitetura estratégica, vejo um caso bastante didático.
Ele já resolveu problemas que muitas organizações passam anos tentando solucionar:
aquisição de audiência, construção de comunidade, posicionamento, diferenciação e mobilização.
Mas ainda precisa resolver o problema mais caro de todos:
conversão.
Uma organização pode possuir milhões de visitantes e não possuir receita.
Uma startup pode ter usuários e não possuir modelo de negócio.
Uma comunidade pode ter milhares de membros e pouca capacidade de mobilização.
Uma candidatura pode ter milhões de seguidores e poucos votos.
É exatamente por isso que métricas precisam ser organizadas dentro de um funil:
atenção → conhecimento → consideração → preferência → voto.
Renan é extremamente competitivo na primeira etapa.
Avançou bastante na segunda.
O grande campo de batalha está agora entre consideração e preferência.
Essa é a mesma lógica utilizada em estratégia empresarial e na construção de ecossistemas: não basta medir atividade. É necessário identificar onde a transformação de valor está acontecendo — e onde está travando.
Para organizações, empresas e ecossistemas, essa leitura é especialmente relevante. Estratégia não é possuir muitos indicadores positivos. É descobrir quais indicadores realmente antecedem o resultado desejado.
Esse é um princípio central da Arquitetura Estratégica da Akilli Brasil.
A verdadeira eleição de Renan pode ser maior que 2026
Existe ainda uma hipótese que considero subestimada.
Talvez avaliar Renan Santos exclusivamente pela possibilidade de ser presidente em janeiro de 2027 seja utilizar a métrica errada.
O Partido Missão está disputando sua primeira eleição nacional.
Uma candidatura presidencial de 5%, por exemplo, significaria milhões de votos, exposição nacional para a marca partidária, fortalecimento de candidatos ao Congresso, crescimento da base de apoiadores e uma plataforma para eleições futuras.
Esse ativo pode permanecer mesmo depois que as urnas forem desligadas.
O fenômeno não é completamente diferente do que ocorreu com outras forças políticas que utilizaram uma eleição presidencial como mecanismo de expansão organizacional.
A eleição, portanto, possui duas camadas.
Na primeira, Renan tenta chegar ao Palácio do Planalto.
Na segunda, tenta transformar o Missão em uma instituição política nacional.
A segunda talvez seja significativamente mais alcançável em 2026.
E pode ser mais importante no longo prazo.
Enquanto isso, Lula e Flávio continuam concentrando a maior parte do eleitorado — dois projetos cuja trajetória analisamos separadamente no Akilli Blog. Vale complementar esta leitura com a análise sobre como Flávio Bolsonaro chegou à disputa presidencial e com nossa projeção sobre um possível quarto mandato de Lula.
Então vale prestar atenção em Renan Santos?
Sim. Mas não pelas razões mais óbvias.
Não há hoje evidência suficiente para tratá-lo como favorito ao segundo turno.
Também já existem evidências demais para tratá-lo como candidatura irrelevante.
Renan possui audiência, comunidade, capacidade de financiamento, organização partidária emergente e uma linguagem que conversa especialmente bem com partes do eleitorado jovem e digital.
Agora precisa provar escalabilidade.
O Datafolha mostrou que a enorme repercussão das redes ainda não produziu uma explosão nacional do voto. Augusto Cury mostrou, ao mesmo tempo, que movimentos rápidos ainda são possíveis.
Restam semanas de campanha.
Em eleições altamente polarizadas, isso é pouco tempo.
Em eleições atravessadas por algoritmos, debates, crises políticas e milhões de eleitores jovens ainda dispostos a reconsiderar o voto, pode ser uma eternidade.
A pergunta relevante, portanto, não é simplesmente se Renan Santos será presidente.
É outra:
estamos assistindo apenas a uma candidatura presidencial ou ao nascimento de uma nova força permanente da política brasileira?
Essa resposta talvez comece nas urnas de 2026, mas dificilmente terminará nelas.
Informação eleitoral útil não deveria servir para dizer ao leitor em quem votar. Deveria ajudá-lo a entender melhor aquilo em que está votando. Acompanhe a cobertura das Eleições 2026 no Akilli Blog para análises de candidatos, propostas, riscos de execução e possíveis impactos sobre organizações, empresas e a sociedade brasileira.
Para consulta direta dos dados institucionais, o Tribunal Superior Eleitoral mantém as informações oficiais do Partido Missão, e os resultados das pesquisas citadas devem sempre ser interpretados considerando metodologia, período de campo e margem de erro.
